2.2. Martin Fackler: críticas ao livro "Street Stoppers --The Latest Handgun Stopping Power Street Results"
O Dr. Martin L. Fackler, em publicação feita na "Wound Ballistics Review" [1] (que pode ser vista, atualmente, em www.firearmstactical.com/streetstoppers.htm), apresenta severas críticas ao livro publicado em 1996 por Evan Marshall e Edwin Sanow, "Street Stoppers - The Latest Handgun Stopping Power Street Results". Nesta revisão, entre outras críticas, Fackler sugere ligações íntimas dos autores com os fabricantes especializados em projéteis leves e de altas velocidades. Como foi referido anteriormente, os artigos e o livro anteriormente publicados por Marshall e Sanow são, em essência, apenas propaganda deste tipo de projétil.
Fackler afirma que, em lugar de um "estudo", o trabalho dos autores consiste em pronunciamentos sem nenhuma sustentação científica. Um "estudo" implica em trabalho intelectual sério, e usa uma metodologia padrão, aceita pela comunidade científica mundial. Deve prover, também, a fonte dos dados colhidos, de forma que leitores sérios possam ler os dados crus, na origem, e decidir se os autores interpretaram os mesmos corretamente. Porém, no caso, os autores recusaram a permitir qualquer revisão independente dos dados apresentados, reivindicando uma estranha necessidade de proteger suas fontes. [2]
Felizmente, a grande maioria dos órgãos encarregados da execução da lei nos EUA ignorou o "estudo definitivo" de Marshall e Sanow, optando por projéteis pesados, mais lentos e que demonstraram ser mais efetivos do que os projéteis mais rápidos por eles recomendados. [3]
Um artigo denominado "Marshall and Sanow Can't Beat the Long Odds - Wound Wizards' Tally Too Good To Be True", publicado na revista norte americana "Soldier of Fortune" em janeiro de 1994 [4] , afirma que a regularidade dos dados apresentados pelos autores é impossível de ser obtida, fato endossado por profissionais em estatística, que afirmam serem estes dados falsos - ou pelo menos algo "muito bom para ser verdade". Mais recentemente, Duncan MacPherson escreveu que "... é quase impossível para um leigo sem conhecimento de estatísticas evitar esta armadilha na coleta ou manipulação de dados" [5] . MacPherson afirma também que qualquer alegação de que uma determinada munição possui certo percentual de incapacitação, feita com base em algumas centenas de eventos de confronto armado, está ou baseada na ignorância, ou é fraude, ou ambos. [6] Evidências adicionais consideram que a credibilidade de Marshall e Sanow (ou a falta dela) estão descritas nas revisões publicadas sobre o livro "Handgun Stopping Power - the definitive study". [7] [8]
Martin Fackler afirma, também que em 1992 Sanow tentara iludir os leitores ao publicar vários artigos na imprensa especializada em armas nos EUA afirmando que projéteis pesados e lentos estariam falhando, com certa regularidade, na incapacitação de oponentes em confrontos policiais. Sanow incluíra detalhes de cerca de uma dúzia de pretensos incidentes, mencionando os departamentos de polícia envolvidos.
2.2.1. Problemas conceituais em "Street Stoppers"
Para Fackler, o livro de Marshall e sanow está cheio de contradições, inconsistências e erros. Entre eles, Fackler aponta:
(1) Na página 2 é possível ler "... não há nenhum substituto para colocação do projétil...". Contudo, o conceito de "one-shot stopping power" contradiz a necessidade de uma boa colocação do tiro no corpo do oponente: um tiro que rompa apenas pele e gordura da parede abdominal é contado por Marshall e Sanow da mesma maneira do que um que passe pelo coração ou pela aorta. O conceito de "one-shot stop" é de grande vantagem para fabricantes de munições, que podem dizer "compre os projéteis que nós recomendamos e você pode esquecer todas as horas de prática; um só impacto em seus adversários, em qualquer parte do torso, e 96% deles (mais que 19 em 20) cessarão a agressão imediatamente"; [9]
(2) Na página 201 escrevem "... o assunto 'letalidade' diz respeito estritamente à colocação do tiro; o assunto 'stopping power' diz respeito à transferência de energia". Novamente aqui, o que parece haver é apenas propaganda dos projéteis defendidos pelos autores;
(3) Na página 161 afirmam "... nós tivemos (...) cargas selecionadas que pareciam efetivas em gelatina, mas que provaram ser um fracasso no laboratório mais realista de todos: a rua". Já na página 162, "... projéteis recuperados em pessoas raramente se assemelham aos recuperados da gelatina", e na página 251, "... geralmente, projéteis que se expandem perfeitamente na gelatina e na água são muito fortes para expansão correta em humanos". Apesar destas afirmações, diz Fackler, é possível observar a fotografia de um projétil disparado em gelatina balística na capa do livro, e 85 fotografias semelhantes ao longo do trabalho. Marshall e Sanow afirmam utilizar o tiro em gelatina como base para as porcentagens de ocorrência do "one-shot stop". Porém, não é possível encontrar nenhum dado sobre a composição da gelatina balística utilizada: sem a composição e a temperatura correta, os testes na gelatina não podem ser considerados válidos, pois a consistência da gelatina varia muito em função da composição e da temperatura. Diversos estudos já publicados informam a maneira correta da preparação da gelatina balística, para que possa ser utilizada com método científico; [10]
(4) Na página 193 de seu livro, Marshall e Sanow afirmam que aqueles que defenderam que o já referido "Miami Shootout" teria uma conclusão diferente se o projétil disparado pela arma do Agente do FBI tivesse perfurado o coração do oponente mais agressivo (ao invés de parar antes de alcançá-lo), estavam errados. Os autores, evidentemente, descobriram que alguma atividade física pode ocorrer mesmo após uma pessoa ter sido atingida no coração por uma projétil. Infelizmente, negligenciaram o fato que esta atividade normalmente cessa dentro de uma dúzia de segundos - o oponente, no caso em questão, levou tempo suficiente para matar dois agentes do FBI e ferir outros cinco;
(5) Na página 198 é possível ler que "... o projétil subsônico de 147 grains é um projétil de baixa energia". De fato, o projétil referido possui mais energia ("momentum") - 0.65 lb-sec - que o Silvertip de 114 grains o qual substituiu - 0.62 lb-sec.
2.2.2. Comentários sobre capítulos específicos do livro
Capítulo 4 - "Strasbourg Goat Tests" - Fackler informa que Marshall e Sanow reproduziram neste capítulo os anônimos testes de Strasbourg, já mencionados, encontrando uma semelhança muito grande com seus próprios resultados. Mesmo não havendo provas da veracidade destes testes, Marshall e Sanow os utilizam como prova de suas teorias.
Capítulo 5 - "Navy/Crane 9mm Ammo Tests" - Este capítulo consiste em dez páginas de "excertos" de uma série de testes realizados seis anos antes da publicação do livro por militares dos EUA. Depois de comentarem os testes, Marshall e Sanow apresentam mais três páginas onde pretendem mostrar os enganos dos pesquisadores da Marinha, corrigindo os "erros" nos testes e em suas conclusões subjetivas. A razão para toda essa discussão foi que os pesquisadores da Marinha utilizaram o projétil 9mm JHP subsônico de 147 grains nos testes, e para Marshall e Sanow isso não poderia estar certo, pois estava em desacordo com o apregoado pelos escritores e vendedores de munições. Assim, eles refizeram os números e, desta vez, o projétil 9mm de 115 grains +P+ teve a melhor performance. Refazendo a seu modo os testes da Marinha, foi possível adequá-los às suas teorias.
Capítulo 6 - "Police Marksman/Fairburn Tests" - Neste capítulo, Marshall e Sanow apresentam uma coleção de opiniões subjetivas apresentadas por policiais à revista "Police Marksman Magazine". É citado, no livro de Marshall e Sanow, o trabalho de Dick Fairburn, já referido, como uma pesquisa séria que dá suporte aos dados do livro. Entretanto, para Fairburn, os eventos analisados entraram lentamente na pesquisa, tanto que, após três anos de coleta, o autor teve menos de 200 tiroteios com armas incluídos em seus estudos. Fairburn sabiamente parou sua pesquisa, mas a revista acima referida, desavisadamente, publicou os dados que até então tinham sido coletados. Em discussão feita com Fairburn em 1992, foram apontados problemas com seu estudo. O autor não podia garantir que alguns dos relatórios a ele enviados não apresentassem um número de incidentes maiores do que os que realmente ocorreram, ou mesmo dados manipulados pela imprensa ou falsos. Outro fato é que qualquer coleção de dados que deixe de incluir todos os tiroteios ocorridos em um período de tempo determinado e em um departamento de polícia em particular, é praticamente nula. A menos que todos os casos sejam incluídos, um investigador sem escrúpulos pode "provar" qualquer coisa que deseje apenas selecionando os casos que tendem a apoiar sua teoria preconcebida, omitindo os que não se encaixam.
Para Fackler, aqui, novamente, Marshall e Sanow parecem ter "refeito" os números, alegando que o estudo de Fairburn daria sustentação a seus dados. Eles citam, por exemplo, que o projétil 9mm JHP 147 grains subsônico é o calibre menos efetivo em 9mm de acordo com Fairburn, mas apenas onze casos foram registrados para esta munição, e, de maneira interessante, a efetividade foi de 50%. "Dada a natureza dos dados compilados (apenas casos em que houve ou não houve a incapacitação), obter 50% de efetividade com uma amostra de onze eventos é uma matemática interessante. Porém, até mesmo se assumirmos que a maioria dos casos enviada a Dick Fairburn é verdadeira e imparcial, há um número muito pequeno de eventos para apoiar qualquer conclusão válida para qualquer calibre em particular". [11] Para Fackler, a única indicação possível de qualquer valor poderia vir de um análise comparativa da porcentagem em relação ao grupo inteiro de eventos. A relação dos casos de sucesso na incapacitação imediata reportada nos 187 casos de Fairburn é de apenas 49%, enquanto as porcentagens de "one-shot stops" em Marshall e Sanow, para o mesmo calibre considerado, é de 78%.
Capítulo 7 - "Royal Canadian Mounted Police Ammo Tests" - Neste capítulo, Marshall e Sanow copiam, literalmente, dez páginas de texto e meia de resumo do relatório técnico intitulado "Comparative Performance of 9mm Parabellum, .38 Special and .40 Smith & Wesson Ammunition in Ballistic Gelatin", escrito por Dean Dahlstrom e Kramer Powley, publicado pelo Centro de Pesquisas da Polícia Canadense em setembro de 1994. Neste estudo, metade dos tiros disparada foi feita de uma distância de três metros, e metade a uma distância de cinqüenta metros; Marshall e Sanow não indicaram qual metade destes eventos foi incluída em seu sumário: os tiros a 3 ou a 50 metros - ou possivelmente uma combinação dos dois. Também não indicaram quais tiros foram feitos com armas de canos de quatro polegadas e quais com armas de cano de nove polegadas.
No Canadá, como no EUA, os relatórios de laboratórios governamentais não são restritos; assim o material pode ser reproduzido sem violar qualquer lei. Porém, é prática erudita pedir permissão para os autores, e reconhecer quando esta permissão é concedida. No caso, não foi solicitada permissão para Dahlstrom ou Powley, e estes pesquisadores canadenses não ficaram nada satisfeitos em ter seus nomes associados a um livro de Marshall e Sanow; estão até mesmo perturbados, pois seu texto original, meticulosamente referenciado, não só foi alterado, como também foram retiradas todas as referências feitas, dando a entender que o trabalho de Dahlstrom e Powley não tivesse nenhuma referência científica. Isto não só fez os autores canadenses parecerem cientificamente analfabetos, mas literalmente rouba o reconhecimento formal e as citações dos autores. Para Fackler, em apagando estas referências, Marshall e Sanow publicaram artigos sem o reconhecimento ou a permissão dos autores.
Capítulo 8 - "Secret Service Ammo Tests" - Neste capítulo, Marshall e Sanow apresentam os resultados de testes do governo americano feitos com munições disparadas em gelatina balística em 1972. Além de tais resultados não terem validade com calibres modernos, devido às mudanças nas munições nos últimos 24 anos, os testes foram realizados numa época em que o uso de gelatina balística não era padronizado. Para simular a resistência dos tecidos humanos, a gelatina balística deve uma composição específica, e ser trabalhada a uma temperatura controlada, o que não foi feito à época. Tais testes, portanto, não tem validade científica alguma.
Capítulo 15 - "Updated Street Results" - A atualização nos resultados de rua, anteriormente publicados (revista "Petersen's Handguns", novembro de 1988), nos permite comparar os dados de poder de parada anteriores com versões mais recentes deste mesmo "banco de dados". Fackler informa que, aqui, novamente, os dados apresentados por Marshall e Sanow são muito bons para serem verdadeiros. Se a metodologia empregada fosse mesmo, como afirmam, a de aumentar o "banco de dados" simplesmente pela adição de mais casos, seria esperada uma diminuição, não um aumento, na porcentagem de casos em que o "one-shot stop" ocorreu. Entretanto, os resultados de rua atualizados apresentam um aumento na porcentagem de parada para 48 das 60 munições listadas, enquanto só oito diminuem (quatro permanecem com o mesmo resultado). Os que apresentaram diminuição foram publicados na parte mais baixa da tabela de seu respectivo grupo. Marshall e Sanow não fizeram um comentário sequer sobre estes resultados extremamente improváveis. Possivelmente, uma explicação alternativa seria a de que os atiradores estão ficando cada vez mais precisos. Entretanto, como Marshall e Sanow consideram que apenas a letalidade depende da colocação do tiro, certamente esta explicação não seria utilizada.
Capítulo 19 - "Black Talon and Winchester Supreme SXT" - Fackler, ao analisar este capítulo, informa que "... parece óbvio que, para explicar seus 'resultados de rua', Marshall e Sanow deveriam convencer seus leitores que os mecanismos até então conhecidos e explicados pela ciência, pelos quais os projéteis de arma de fogo causam danos aos tecidos humanos, não possuíam nenhuma validade". Aparentemente os autores ficaram perturbados pelo sucesso da Winchester "Black Talon" (que seus resultados de rua mostraram ser "uma das mais efetivas 'hollow points' - enquanto as Hydra-Shoks estiveram somente próximas aos melhores resultados"). Na página 229, descrevem: "... parece claro que as garras em si mesmas não somam em nada para a efetividade total do projétil, apesar do senso médico fazer crer que deveriam somar ...". É sabido, e cientificamente documentado, que o mecanismo de corte das "black talon" aumenta a efetividade deste projétil, colocando esta munição em uma classe à parte, com resultados bem superiores bem acima das HP comuns que não possuem nenhum efeito semelhante. [12] Fackler diz que "... a negação deste fato inconteste é quase um apelo religioso, feito ao leitor para que descarte todo seu conhecimento prévio, toda a aprendizagem, toda a ciência, e considere apenas os dados dos autores, notadamente sem embasamento científico algum, como sendo a salvação para a ignorância, a fonte exclusiva da verdade relativa aos efeitos dos projéteis de arma de fogo".
Capítulo 22 - Para Fackler, este capítulo é um anúncio de 24 páginas das munições "Hydra-Shok", "Starfire" e "Quik-Shok", feito pelo inventor destas munições. Como o restante do livro, este anúncio é expresso de modo a parecer um artigo válido e objetivo, apresentado por um observador isento. Já foi comprovado que as "Hydra-Shok", com seu pino, adquirem alguma profundidade de penetração extra, se comparada a outros projéteis de diâmetro expandido, velocidade e peso iguais. As leis da física demonstram que esta profundidade de penetração extra só pode ser ganha às custas de uma diminuição no diâmetro efetivo da cavidade permanente. Reconhecer isto, porém, exige mais entendendo de como projéteis rompem o tecido humano do que parecem possuir a maioria dos "especialistas" que realizam testes com munições; então, esta característica das "Hydra-Shok" acabou sendo ignorada.
Capítulo 23 - "New Ammo: Rhino/Razor, Quik-Shok, and Omega Star" - Fackler informa que estas foram as "balas mágicas" que ganharam as manchetes dos EUA no final de 1994. Com um projétil semelhante às "Glaser safety Slug" e às "MagSafe", mas com os balins de chumbo fortemente unidos por um polímero que servia, antigamente, para a pintura de aviões, esta munição foi anunciada como sendo capaz de causar morte imediata ao atingir qualquer parte do corpo do oponente. "Como era de se prever, Marshall e Sanow adoraram este anúncio - escreveram oito páginas sobre a munição: mas evidentemente, logo antes de 'Street Stoppers' ser impresso, as munições 'Rhino/Razor' demonstraram estar com a pressão padrão fora dos parâmetros da SAAMI, seu inventor tendo feito um 'recall' e retirado o produto do mercado" [13] .
Capítulo 24 - "Effects of Multiple Bullet Impacts". Fackler lembra que "Street Stoppers" traz os mesmos erros e interpretações equivocadas de "Handgun Stopping Power". Novamente os autores comprovam que Duncan MacPherson estava coreto em afirmar que é quase impossível, para aqueles que não estão familiarizados com a estatística, evitar a armadilha do "muito bom para ser verdade" na coleta e tratamento de dados. [14]
Segundo Fackler, este capítulo do livro pretende demonstrar que dois tiros no torso não têm, em essência, nenhum efeito maior do que apenas um. Para as 42 cargas listadas, dois tiros produziram uma porcentagem de aumento na ocorrência do "one-shot stop" de 0% em 8 cargas, 1% em 18 cargas, 2% em 10 cargas, 3% em 3 cargas, e 4% em 3 cargas. Estes "dados" de Marshall e Sanow mostram que dois impactos seguidos só produzem um "stopping power" aproximadamente 1% maior do que aqueles eventos em que o oponente foi atingido por apenas um impacto no torso. "O absurdo desta afirmação só é excedido pela regularidade dos 'dados'". Um único impacto sempre causa menos rompimento de tecidos do que aquele mesmo impacto seguido de mais um. Se a superioridade de dois tiros fosse de apenas 1% como mostrado pelos "dados", a probabilidade de que nenhum dos 42 casos mostrasse resultados melhores do que os de um único impacto é de aproximadamente uma em 80 milhões, pelos dados fornecidos. "Em resumo, a chance de estes 'dados' serem reais, e não fabricados ou tratados de algum modo, é de aproximadamente uma em 80 milhões". [15]
Capítulo 25 - "Shotgun and Rifle Results". Aqui, alguns resultados de ocorrência do "stopping power" para armas longas são apresentados pelos autores. Eles mostram uma taxa de 100% de efetividade para duas munições em calibre .223, mas apenas de 98% para todas as três cargas apresentadas no calibre 12.
Segundo nos informa Fackler, o ".308 MatchKing" teve, em "Street Stoppers", uma média entre 98 e 99% de efetividade, e foi declarado "intensamente letal" pelos escritores especializados e vendedores de armas e munições. Entretanto, não é este o relato atual de "snipers" policiais dos EUA [16] [17] : há casos de projéteis terem trespassado o ombro do oponente (quatro polegadas de tecido muscular) sem sofrer nenhuma deformação, e nem sequer incapacitá-lo.
Apêndices do livro - há muitas páginas em "Stopping Power" repletas de informações que aparecem estranhamente fora de lugar, não tendo nada a ver com o restante do livro. Por exemplo, o apêndice "B" consiste num relatório de autópsia que descreve dois tiros no tórax e um na mão; o apêndice "C" consiste em outro relatório de autópsia, que descreve uma lesão de tiro da cabeça. Estes dois relatórios de autópsia bastante comuns simplesmente foram colocados no livro, sem qualquer comentário ou explicação da razão para sua inclusão, apenas ocupando espaço.
2.2.3. Conclusões de Fackler
Em sua revisão ao livro, Fackler nos informa que, devido às contradições, problemas de credibilidade, estatísticas "muito boas para serem verdadeiras", e indicações claras de que os autores não entendem os princípios científicos mais básicos, nada neste livro pode ser tomado como informação confiável. "Nenhum leitor inteligente tolerará um livro de não ficção destituído de referências: o leitor astuto confere as referências, e sabe que até mesmo autores renomados da literatura científica, às vezes, interpretam mal suas fontes". [18]
"O livro é uma compilação de fantasias, escrita em tom arrogante. O leitor é constantemente chamado a acreditar nos dados expostos de maneira religiosa, e a acreditar em suposições sem embasamento científico. Este livro é a antítese do discurso inteligente, científico, no qual a evidência é exposta sempre com referências claras, para que os leitores mais céticos possam confirmar as fontes e os dados crus consultados pelos autores. Na literatura científica o leitor não é chamado a acreditar, mas sim a pensar por si mesmo, tirando suas próprias conclusões". [19]
[1] Fackler, Martin L: "Book review: Marshall E.P., Sanow E.J.: Street Stoppers --The Latest Handgun Stopping Power Street Results". Wound Ballistics Review; 3(1), 1997: 26-31.
[2] Fackler, ML: op. cit.
[3] Fackler ML: "FBI 1993 Wound Ballistics Seminar: Efficacy of Heavier Bullets Affirmed." Wound Ballistics Rev 1994; 1(4): 8-9.
[4] Fackler, ML: "Marshall - Sanow Can't Beat the Long Odds." Soldier of Fortune, janeiro de 1994; p. 64-65.
[5] As informações de MacPherson serão discutidas mais adiante.
[6] MacPherson D: "Bullet Penetration -- Modeling the Dynamics and the Incapacitation Resulting from Wound Trauma". El Segundo, CA, Ballistic Publications, p. 22-23.
[7] Roberts GK, Wolberg EJ: "Book Review, Handgun Stopping Power: The Definitive Study." Assn of Firearm and Toolmark Examiners Journal 1992; 24(4): 383-387.
[8] Roberts GK, Wolberg EJ: "Definitive Study on Handgun Stopping Power?" Soldier of Fortune, December 1992, pp. 40-41, 69-71.
[9] Fackler, Martin L: "Book review: Marshall E.P., Sanow E.J.: Street Stoppers --The Latest Handgun Stopping Power Street Results". Wound Ballistics Review; 3(1), 1997: 26-31.
[10] Fackler, ML: op cit.
[11] Fackler, Martin L: "Book review: Marshall E.P., Sanow E.J.: Street Stoppers --The Latest Handgun Stopping Power Street Results". Wound Ballistics Review; 3(1), 1997: 26-31.
[12] Fackler, ML: op. cit.
[13] Fackler, ML: op. cit.
[14] MacPherson D: "Bullet Penetration -- Modeling the Dynamics and the Incapacitation Resulting from Wound Trauma". El Segundo, CA, Ballistic Publications, p. 22-23.
[15] Fackler, ML: op. cit.
[16] Haag LC: "Federal Premium .308 Win. 168 gr. JHP-BT - a SWAT/HRT Round with Some Idiosyncrasies." Wound Ballistics Rev 1995; 2(2): 8-10.
[17] Fackler ML: "Match king Bullet -- Past, Present and Future." Wound Ballistics Review; 1995; 2(2): 11-12.
[18] Fackler, Martin L: "Book review: Marshall E.P., Sanow E.J.: Street Stoppers --The Latest Handgun Stopping Power Street Results". Wound Ballistics Review; 3(1), 1997: 26-31.
[19] Fackler, ML: op. cit.